Carta ao Governador Sergio Cabral PDF Imprimir E-mail
Saúde
De uma médica   
Sáb, 18 de abril de 2009 21:39

Sergio Cabral
Quem é o vagabundo, Governador?
Sabe governador, somos contemporâneos, quase da mesma idade, mas vivemos em mundos bem diferentes.

Sou classe média, bem média, médica, pediatra, deprimida e indignada com as canalhices que estão acontecendo.

Não conheço bem a sua história pessoal e certamente o senhor não sabe nada da minha também.

Fiz um vestibular bastante disputado e com grande empenho tive a oportunidade de freqüentar a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, hoje esquartejada pela omissão e politiquices do poder público estadual.

Fiz treinamento no Hospital Pedro Ernesto, hoje vivendo de esmolas emergenciais em troca de leitos da dengue.

Parece-me que o senhor desconhece esta realidade. O seu terceiro grau não foi tão suado assim, em universidade sem muito prestígio, curso na época pouco disputado, turma de meninos Zona Sul...

Aprendi medicina em hospital de pobre, trabalhei muito sem remuneração em troca de aprendizado.

Ao final do curso nova seleção, agora para residência. Mais trabalho com pouco dinheiro e pacientes pobres, o povo. Sempre fui doutrinada a  fazer o máximo com o mínimo.

Muitas noites sem dormir, e lhe garanto que não foram em salinhas refrigeradas costurando coligações e acordos para o povo que o senhor nem conhece o cheiro ou choro em momento de dor.

No início da década de noventa fui aprovada num concurso para ser médica da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. A melhor decisão da minha vida, da qual hoje mais do que nunca não me arrependo, foi  abandonar este cargo.

Não se pode querer ser Dom Quixote, herói ou justiceiro. Dói assistir a morte por falta de recursos. Dói como mãe de quatro filhos, ver outros filhos de outras mães não serem salvos por falta de condições de trabalho.

Fingir que trabalha, fingir que é médico, estar cara-a-cara com o paciente como representante de um sistema de saúde ridículo, ter a possibilidade de se contaminar e se acostumar com uma pseudo-medicina é doloroso, aviltante e uma enorme frustração.

Aprendi em muitas daquelas noites insones tudo o que sei fazer e gosto muito do que eu faço. Sou médica porque gosto. Sou pediatra por opção e com convicção. Não me arrependo. Prometi a mim mesma fazer o melhor de mim.

É um deboche numa cidade como o Rio de Janeiro, num estado como o nosso assistir políticos como o senhor discursarem com a cara mais lavada que este é o momento de deixar de lenga-lenga para salvar vidas. Que vidas, senhor governador? Nas UPAS? tudo de fachada para engabelar o povão!!!!

Por amor ao povo o senhor trabalharia pelo que o senhor paga ao médico?

Os médicos não criaram os mosquitos. Os hospitais não estão com problema somente agora. Não faltam especialistas. O que falta é quem queira se sujeitar a triste realidade do médico da SES para tentar resolver emergencialmente a omissão de anos.

A mídia planta terrorismo no coração das mães que desesperadas correm a qualquer sintoma inespecífico para as urgências.

Não há pediatra neste momento que não esteja sobrecarregado. Mesmo na medicina privada há uma grande dificuldade em administrar uma demanda absurda de atendimentos em clínicas, consultórios ou telefones. Todos em pânico.

E aí vem o senhor com a história do lenga-lenga.

Acorde governador! Hoje o senhor é poder executivo. Esqueça um pouco das fotos com o presidente e com a mãe do PAC, esqueça a escolha do prefeito, esqueça a carinha de bom moço consternado na televisão.

Faça a mudança. Execute.

"Lenga-lenga" é não mudar os hospitais e os salários.

Quem sabe o senhor poderia trabalhar como voluntário também. Chame a sua família. Venha sentir o stress de uma mãe, não daquelas de pracinha com babá, que o senhor bem conhece, mas daquelas que nem podem faltar ao trabalho para cuidar de um filho doente. Venha preparado porque as pessoas estão armadas, com pouca tolerância, em pânico.

Quem sabe entra no seu nariz o cheiro do pobre, do povo e o senhor tenta virar o jogo.
A responsabilidade é sua, governador.

Afinal, quem é, ou são, os vagabundos, Governador?

De uma médica
 
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23 Comments

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  1. Segio Cabral vc deu uma verba para Itatiaia,mas ate agora não vimus nenhum resultado,estamos sem medico,as ruas continuam com burracos,não tem exames,as roupas de cama esta tudo rascadas,esta sem pediatra,e me perguntaram se eu não sabia aonde eu encontrava um padiatra.Itatiaia esta uma vergonha pra que mandar verba para itatiaia se o prefeito não faz nada esta um cãos essa cidade...e ainda fala em cobrar agua na cidade...vê se faz aguma coisa
  2. Ao excelentíssimo senhor governador Sergio Cabral.. Eu Marcilene da Silva, como tantos outros prestamos concurs em 2009 para a saúde ,o concurso foi feito pela "fesp" na qual passamos e fomos contratados. Venho por meio deste pedi-lhe que se for possível tentar nos efetivar na instituição na qual estamos prestando serviço que é o hospital estadual Getulio Vargas na penha.Desde já eu agradeço.
  3. Sou professora do estado com 25 anos de magistério, 49 anos de idade e direito adquirido de 15 meses de licença especial a gozar. Ao fazer o pedido para gozar minha licença no ano que vem, me foi negado, sendo informada que necessito ter 50 anos de idade pra gozar a licença. Gostaria de saber por que não posso ter a liberdade de escolher quando devo tirar uma licença à qual tenho direito. Estou me sentindo agredida nos meus direitos. Agradeço se esta mensagem for lida. Marta Helena
  4. Sou funcionário de apoio do CIEP de Cantagalo, RJ. Meu salário era de R$521,00; agora, com aumento que o senhor deu, foi para R$529,00. 8 reais a diferença. Eu estou a 15 anos sem aumento. Se eu foce o senhor, eu teria vergonha de fazer isso com os funcionários de apoio dos CIEP. Os funcionários terceirizados que o senhor contratou para os CIEP ganham mais do que nós, funcionários que temos 18 anos de Estado. Os 8 reais poderiam ficar com o senhor, para tomar o seu cafezinho.
  5. Senhor governador, gostaria de uma resposta sua sobre meu processo do rio previdencia (processo. no 2006-001113072-6), Sem mais, obrigada. lenymaria calheiros da silveira. 9a vara de fazenda publica.
  6. Não adianta mesmo enviar mensagem, pois não obtemos nenhuma resposta. Isso é uma vergonha, se depender do meu voto, votarei no Senhor, sim, para que o Senhor suma do Brasil.
  7. Gostaria que me desse a resposta, pois já enviei um e-mail,pedindo para que possa rever minha situação, pois sou reformado por doença pelo CBMERJ e recebo de auxilio doença 163,00 reais e essa mixaria não dá nem para os remédios, pois continuo em tratamento no hospital. Como, Governador, poderia me explicar que auxilio doença é esse ou o Senhor está pensando que doença dá em poste? Aguardo comunicado, ansiosamente.
  8. LINDBERG NOS ENRROLOU E ABANDONOU. Governador, por favor, nos ajude. O Prefeito esta deixando acabar o último espaço que a minha comunidade tem para crianças, idosos e jovens. Deu-nos uma planta de praça que não existia e agora tudo está acabando. Só por final de domingos, eram mais de 200 crianças, tudo de graça e sem a ajuda do poder público. Meu tel. é 2658 3363 e 8691 9380. Temos abaixo-assinado com mais de 4.000 assinaturas.
  9. Solicito a intervenção do Estado, como na Cidade de Deus, em Rio das Pedras. A milícia precisa ser vencida. Eles fazem e acontecem, na cara da Polícia Militar presente em nossa comunidade. Domingo passado, no pagode que acontece todos os domingos, sem hora para acabar, atrapalhando o sono de quem precisa trabalhar na segunda feira, um deles deu tiros pro alto, em plena praça lotada, e a polícia nada fez. Pelo amor de Deus, nos ajudem. O povo está revoltado. Já se ouve comentários de badernas, quebra quebra, brigas no pagode da praça, na associação!!! O povo de Rio das Pedras quer uma policia mais atuante e presente, não com o rabo entre as pernas como ficam, e os milicianos pintando o sete.
  10. SR. GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. GOSTARIA DE UMA SOLUÇAO DO MEU PROCESSO DO RIO PREVIDENCIA, ESTOU NA JUSTIÇA HA 4 ANOS PARA UMA ATUALIZAÇAO DE PENSAO MEU PAI ERA POLICIA CIVIL. ESTOU COM SALARIO DEFAZADO, GANHO 726.00 REAIS UM POLICIAL ATUALMENTE GANHA 1200.00 TENHO PROBLEMA DE SAUDE. SOU FILHA SOLTEIRA NAO CASEI VIVO SO. GOSTARIA QUE O SENHOR DESSE UMA SOLUÇAO. MEU PROCESSO É 2006-0011130726 9A VARA DE FAZENDA PUBLICA VENHO PEDIR UM GRANDE FAVOR . OBRIGADA.
  11. Ao Excelentíssimo Senhor Governador Sérgio Cabral. Eu Adverci Pereira de Souza Junior prestei concurso para o corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) em maio de 2008 sendo aprovado com nota 77,5 e sendo convocado para o Teste de Aptdão Física (TAF) na terceira convocação, também sendo aprovado e sendo convocado para a Inspeção de Saúde em Agosto de 2008. Como a Vossa Excelência pôde ver, de acordo com as datas que descrevi, já estou a mais de um ano aguardando pelo Exame Documental e eventualmente a Incorporação. Peço somente uma resposta se haverá ou não mais convocações pois me dediquei em estudar para fazer o concurso e agora que consegui ser aprovado sou tratado com descaso.
  12. As obras no Conjunto Habitacional Costa e Silva, mais conhecido como Fumacê, estão me tirando do sério. Os funcionários estão trabalhando complemtamente errado, eles tiraram as telhas há mais de 15 dias e não as recolocaram. Com a chuva do último domingo, estragou a pintura do meu apartamento, situado no bloco 19/504. Eu reclamei, com era de direito, e o tal nem se importou, gostaria de saber quem vai fazer este reparo. Estou no aguardo. Obrigada. Cristina
  13. Gostaria de saber por que até hoje não recebi o que me é de direito, por ter trabalhado em CIEP, durante 5 anos consectivos, tendo o direito de receber em minha aponsentadoria uma gratificação plublicada em D.O., na época? Já recorri a todos os meios possíveis e imagináveis, mas nada consegui. Acompanhei o meu processo onde foi afixada a quantia de Cr$ 680,55. Mas até hoje nada me foi concedido. Trabalhei 30 anos. E daí? Cadê o respeito a mim? Quando do término, me foi falado que: -Se o governador liberar, tudo bem. E o meu direito onde fica? Retroativo a 2005. O que eu posso fazer? Mat.511804-7. Trabalhei 12 anos com GLP. O que posso fazer? Alguém que tenha acesso ao meu pediso, me ajude, eu suplico, pois não sei a quem mais recorrer. Por favor...
  14. O motivo desta é para esclarecer que não sou a autora desta carta que foi escrita por uma colega pediatra que não quis se identificar: apenas repassei emails com o Título: "CARTA DE UMA COLEGA PEDIATRA AO GOVERNADOR": achei importante e muito bem escrita e que valia à pena repassar às minhas clientes: alguém repassou e colocou meu nome no Título, como sendo a autora...infelizmente espalhou-se desta forma!Tenho esclarecido à todos que me telefonam ou escrevem.Resolvi divulgar por concordar,com a situação triste da nossa medicina. Grata! Isabel
  15. Olá Miltom Temer, tudo bem? Hoje escutei o faixa livre, mas não deu para ouvir de vc onde publica seus comentários. Preciso saber, sou ouvinte diária de vocês e sou quase 100% a favor de tudo que se comenta ali, exceto comentários tecidos sobre a Igreja Católica. Vamos lutar, rezar, torcer, enfim, fazer tudo para Heloisa subir ao pódio, não se aguenta mais tantas falcatruas, impunidade e desgoverno. mtereza
  16. Parabenizo, pela iniciativa da carta.Saiba que conseguiu expressar,brilhantemente, sobre a dura realidade de quem precisa de uma medicina pública de qualidade.Sugiro que protocole esta sua carta no Gabinete do Governador, e que caso tenha uma resposta do destintário, que nos divulgue a resposta que ele nos deve.Digo nós porque sou solidário ao seu texto.
  17. É uma pena que de nada adiante a indignação de uma medica consciente, e uma admirável figura humana como essa, pois do outro lado temos uma figura humana fria e calculista que trata o pobre como marginal e indesejável. Seria bom se todos nós pudessemos nos mobilizar para mudar todo esse contexto, não permitindo que pessoas como ele pudessem ocupar um lugar de tal importância.
  18. Melhor que esta só aquela carta aberta pedindo o fim da política de extermínio e confronto. Sérgio Cabral só tem olhos para vaga de vice na chapa da Dilma!!!!
  19. Eu já sabia que esse governadozinho de meia pataca não está nem aí para o povão do Estado do Rio de Janeiro. Aqui na Região dos Lagos nada fez, e nem fará, porque ele é governador de elite, da mesma laia do presidente Lula. Tínhamos um hospital aqui em São Pedro da Aldeia pronto para ser montado. Lembro-me que, na época da campanha, ele prometeu ao então prefeito inaugurar o hospital. Nem deu as caras. Esse cara é um demagogo, enganador. Sou solidário a essa médica que teve coragem de dizer o que muitos querem mas não têm a oportunidade...
  20. Exelente a carta ao Governador, de muita coragem e lucidez esta profissional. Em breve vou enviar para o site do psol a "ORAÇÃO AOS COVARDES" que escrevi.
  21. querida pediatra , minha integral solidariedade! Discuto com meus alunos, na USP, que a principal medida para se avaliar o grau de democracia ( e decência, acrescento) de uma país, de uma sociedade, é o nível de atenção e de garantias concretas para que TODOS tenham acesso à educação e à saude, com serviços públicos, gratuitos e de qualidade. E, paralelamente, que os professores e os médicos tenham salários e condições de trabalho dignos. Estamos longe desse patamar mínimo de democracia. Sei que não verei, em meu tempo de vida, uma situação melhor. Mas luto, na minha área, para mudar. Não verei os frutos, mas terei ajudado a plantar sementes. O que esses políticos fazem - e deixam de fazer - é o pior dos crimes hediondos. Não há perdão. Temos que denunciá-los e derrotá-los. abraços, Maria Victoria Benevides
  22. A indignação da Dra. Maria Isabel Lepsch revela o sentimento de quem, na outra ponta do estetoscópio, está acostumada a ouvir o coração das pessoas, não só os batimentos, mas, sobretudo, o clamor de justiça social e piedade pelo sofrimento de quem doente não tem a contrapartida do Estado. Não só a saúde, mas a educação e a segurança pública carecem de melhores condições de trabalho e melhores salários. Imaginar que um médico, professor ou policial exercem a profissão por opção e que por isso não podem reclamar dos péssimos salários e condições de trabalho é praticar o escárnio dispensado ao povo por todos os governantes que o antecederam. Lenga-lenga são as promessas que ouvimos em épocas de eleição e em reiterados discursos na mídia. Alguns políticos juntam-se ao povo e entram para a história, outros preferem o descaso, quiçá o ostracismo. Ainda há tempo de salvar vidas, vagabundas ou não, basta querer.
  23. Quanta dignidade e indignação, gente! Emocionante eencorajador. Da. Maria Isabel, a vida vale a pena quando a ação é de verdade. Triste é assitir governantes de todos os matizes a sitematica e descaradamente enganando a sociedade, especialmente os seguimentos sócio-econômicos mais vulneráveis.

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