| Uma oposição mais à esquerda - pequena e barulhenta - luta por espaço no parlamento |
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| Política |
| Escrito por Rodrigo Vizeu - O Globo Online |
| Seg, 28 de janeiro de 2008 11:17 |
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Brasília - Quando se pensa em oposição no Congresso brasileiro, o normal é lembrar de PSDB e DEM (ex-PFL). Com suas amplas bancadas, tempo nas tribunas e líderes influentes, verborrágicos ou as duas coisas, os dois partidos são referências em posições contrárias às do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas uma outra oposição, mais à esquerda, luta por espaço no Parlamento. Suas escassas vozes são alguns parlamentares avulsos de partidos como PSB, PPS e PV e o pequeno PSOL, que com três deputados e um senador, todos ex-petistas, fazem questão de se diferenciar da chamada "oposição de direita" de tucanos e democratas. "A oposição conservadora falha exatamente ao se opor ao governo sem autenticidade" A diferença é a coerência na crítica. Eles se opõem ao governo Lula, que, do ponto de vista das alianças que fez e da política que implementa, é uma continuação do governo Fernando Henrique. A oposição conservadora falha exatamente ao se opor ao governo sem autenticidade. É uma oposição apenas para tomar o lugar de quem está no poder. Por isso gosto de dizer que no Brasil há oposições, no plural, porque nosso enfoque é diferente - afirma o líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ). - A oposição de esquerda está efetivamente comprometida com um novo modelo de sociedade que combate a desigualdade e a injustiça e se opõe ao modelo econômico vigente. Nós procuramos manter vivo esse ideário - complementa o senador José Nery (PSOL-PA), suplente da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT). O discurso contra o modelo "neoliberal", a predileção por atos públicos barulhentos e a relação fraternal com movimentos sociais torna inevitável a comparação com o PT antes de chegar ao poder. Mas a semelhança só é admitida em parte por Chico Alencar. - Nós guardamos muitos aspectos da era pré-delubiana do PT, mas não temos nenhuma nostalgia. Já naquela época, o PT carregava as sementes do que é hoje. Além do mais, temos obsessão por sermos propositivos. Nosso projeto é acender o fogo, não amaldiçoar a escuridão - fustiga o deputado. Parte da chamada "oposição progressista" vem do Bloco de Esquerda, ou apenas "bloquinho", formado por PSB, PDT, PCdoB e outros partidos. Apesar de serem oficialmente da base aliada e até terem ministros na Esplanada, alguns parlamentares do grupo chamam atenção pela postura crítica ao governo. A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) é membro do bloco e faz questão de ressaltar uma postura independente, mas demonstra pessimismo quanto à força do grupo para fazer frente ao governo. - Circunstancialmente essas pessoas votam diferente do que suas bancadas definem e há uma certa atitude de resistência à base do governo. Mas isso não chega a configurar uma coalizão de forças. Sendo assim, não existe perspectiva de poder, tanto que, apesar das pretensões, os partidos devem lançar candidatos próprios em diversas capitais, independente do bloquinho - lamenta Erundina. "Esses parlamentares de esquerda não têm muito peso, são vozes perdidas dentro de seu próprio partido" O cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB), é crítico quanto aos setores oposicionistas de esquerda. Segundo ele, falta peso político e mesmo número à oposição que não se alinham nem ao governo nem a PSDB e DEM. - Nas circunstâncias atuais, é difícil reconstruir um partido verdadeiramente de esquerda. O PSOL tentou, mas por enquanto não teve muito êxito. Esses parlamentares de esquerda não têm muito peso, são vozes perdidas dentro de seu próprio partido. A exceção é o PSOL, que é unido, mas é grupo muito pequeno, sem perspectiva de poder - analisa o professor. Chico Alencar admite que a "desarticulação da esquerda no mundo" e a "hegemonia do capitalismo globalizado" dificultam a vida dos que professam a fé no "projeto socialista". Mas o deputado afirma que as forças estão se reaglutinando e que há esperanças para a esquerda, a começar pelo Congresso. - O fato de a Heloísa Helena ter sido a terceira colocada nas últimas eleições mostra isso. A traição do PT deixou um vazio. Há um vazio de sonho, de utopia na sociedade. Há uma grande orfandade entre aqueles que ficaram sem chão com a guinada conservadora do PT - afirma. Alvo preferencial da esquerda parlamentar tanto nos tempos de FH quanto na era Lula, PSDB e DEM questionam a aura de "oposição mais legítima" que PSOL e companhia tentam propagar. O líder democrata na Câmara, Onyx Lorenzoni (RS), diz que a raiz comum entre esses deputados e o PT dificulta o enfrentamento. Também empunhando a bandeira da pureza, o deputado argumenta que o DEM "é a única oposição que em nenhum momento vacilou" e aproveita para cutucar o ponto fraco dos esquerdistas. - Como são numericamente pequenos, eles não fazem nem cócegas no governo, no máximo alguns barulhos em alguns momentos. É um grupo político que vive de factóides - ataca Onyx. |


