Obama reconhece desafios como Presidente PDF Imprimir E-mail
Internacional
Escrito por Prensa Latina   
Qua, 05 de novembro de 2008 13:32
Barack ObamaWashington, 5 de novembro (PL) ― O presidente eleito dos Estados Unidos Barack Obama fez hoje um chamado à unidade da nação, e reconheceu a difícil tarefa que tem pela frente como novo mandatário.

Num discurso diante de milhares de seguidores em Chicago pouco depois de ganhar as eleições, Obama recordou que entre os desafios está a existência de dois conflitos bélicos, herdados do atual governante George W. Bush.

"Duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira (...) há estadunidenses que despertam a cada dia no Iraque e no Afeganistão, cujas famílias não sabem como pagar suas hipotecas", sublinhou o senador de origem afro-americana.

Numa clara mensagem aos republicanos, Obama os instou a unir-se ao trabalho que é necessário para reconstruir a nação.

"Haverá vezes em que nem todos estarão de acordo com as políticas que eu adote como Presidente, mas sempre serei honesto com vocês", prometeu.

Segundo Obama, a vitória deste 4 de novembro constitui a oportunidade para que as coisas não voltem ao passado.

De acordo com resultados preliminares de antes da meia noite, quando faltavam cinco estados por escrutar, Obama tinha assegurados 338 votos eleitorais, enquanto seu rival, o senador John McCain, só chegou a computar 155.

Para ser eleito Presidente, um político nos Estados Unidos necessita de ao menos 270 votos eleitorais.



Presidente Chávez felicitou Obama por vitória eleitoral

Caracas, 5 de novembro.  ABN.― O presidente da República Bolivariana da Venezuela Hugo Chávez Frías felicitou o presidente eleito dos Estados Unidos Barack Obama pela importante vitória obtida nas eleições que concentraram as expectativas da opinião pública internacional.

Num comunicado de imprensa do Ministério do Poder Popular para as Relações Exteriores, o presidente Chávez sinalizou: “A eleição histórica de um afrodescendente à frente da nação mais poderosa do mundo é o sintoma de que a mudança de época que se gestou desde a América do Sul poderia estar tocando as portas dos Estados Unidos”.

Igualmente, o Governo venezuelano reiterou a boa vontade para que entre as duas nações existam relações sobre a base dos princípios do respeito à soberania, à igualdade e à cooperação verdadeira.

Além disso, no comunicado se dá ênfase à necessidade da multipolaridade, baseada no equilíbrio, na paz e na convivência humana.

“De todos os rincões do planeta se levanta um clamor que exige uma mudança nas relações internacionais e a construção, como dissera "O Libertador" Simón Bolívar, de um mundo de equilíbrio, paz e convivência humana”, reza o comunicado.

“O governo da República Bolivariana da Venezuela ratifica sua vontade e sua determinação de edificar, sobre a base do respeito absoluto da soberania, uma agenda bilateral construtiva para o bem-estar dos povos venezuelano e estadunidense”, diz o comunicado.



Evo saúda vitória de Obama e aguarda otimista novas relações com EEUU

La Paz, 5 de novembro (ABI).― O presidente da Bolívia Evo Morales aplaudiu nesta quarta-feira a vitória eleitoral do democrata Barack Obama, de 47 anos, e espera que a partir do novo Mandatário desse país as relações bilaterais tomem outro rumo.

"Felicito, em nome do governo nacional, o histórico triunfo do senhor Obama, porque é um senhor que vem dos setores mais discriminados, que vem dos setores escravizados, histórico por certo. Seguramente que vai seguir fazendo história", afirmou o Chefe de Estado à imprensa na porta do Palácio Queimado.

Desta maneira se referiu Morales Ayma à vitória eleitoral de Obama, que se converteu no primeiro presidente afro-americano da história dos Estados Unidos.

Obama nasceu no Havaí, filho de um queniano e uma estadunidense branca. Seus pais Barack Obama Sr. e Ann Dunham se casaram quando ambos estudavam na University of Hawái.

O Chefe de Estado boliviano expressou seu entusiasmo ante os jornalistas porque considera que a partir do novo Mandatário estadunidense as relações deterioradas entre ambos os países podem melhorar. 

"Também estou seguro que vão melhorar as relações entre o Governo boliviano e o Governo dos Estados Unidos. Saudamos o grande triunfo do senhor Obama", remarcou.

Recordou que semanas atrás afirmou que com qualquer que seja o Mandatário nos EEUU, o Governo boliviano buscará melhorar as relações com o Governo estadunidense.

"Mas quem pode ser melhor que Obama, repito, uma pessoa que representa os sectores mais marginalizados, os afro-americanos", agregou.

Ademais, exteriorizou seu grande desejo de que o novo Presidente dos EEUU possa levantar o bloqueio econômico a Cuba e retirar as tropas de alguns países.



A íntegra do discurso da vitória de Obama

Eis a íntegra do discurso pronunciado pelo presidente eleito dos Estados Unidos Barack Obama na madrugada de ontem em Chicago depois da confirmação de sua vitória nas eleições de ontem.

BARACK OBAMA
: Olá, Chicago. Se existe alguém que ainda duvida que a América é um lugar onde todas as coisas são possíveis, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores está vivo em nosso tempo, que ainda questiona o poder de nossa democracia, esta noite é a sua resposta.

É a resposta contada pelas filas que se estenderam em torno de escolas e igrejas em números que a nação jamais viu, de pessoas que esperaram três horas ou quatro horas, muitas pela primeira vez em suas vidas, porque acreditaram que desta vez precisava ser diferente, que suas vozes poderiam fazer a diferença.

É a resposta dada por jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, americanos nativos, gays, heterossexuais, deficientes e não deficientes. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo de que nunca fomos apenas uma porção de indivíduos ou uma porção de estados vermelhos e estados azuis. Nós somos, e sempre seremos, os Estados Unidos da América.

Essa é a resposta que levou aqueles a quem foi dito por tanto tempo e por tantos para serem cínicos, temerosos e desconfiados sobre o que podemos conseguir a pôr suas mãos no arco da história e curvá-lo uma mais vez no rumo da esperança de um dia melhor.
Foi uma longa jornada, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data e nesta eleição neste momento definidor, a mudança chegou à América.

Agora há pouco, esta noite, recebi uma ligação extraordinariamente cortês do senador John McCain. O senador McCain travou uma luta longa e dura nesta campanha. E ele já havia combatido há muito mais tempo e mais duro pelo país que ele ama. Ele suportou sacrifícios pela América que a maioria de nós não pode nem sequer começar a imaginar. Nós estamos em melhor situação pelos serviços prestados por este líder corajoso e abnegado. Eu o felicito; eu felicito a governadora Palin por tudo que eles conseguiram. Pretendo trabalhar com eles no futuro para renovar a promessa desta nação nos próximos meses.

Quero agradecer a meu parceiro nesta jornada, um homem que fez campanha com seu coração, e falou para os homens e mulheres com quem cresceu nas ruas de Scranton e com quem viajou no trem para casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.
E eu não estaria aqui nesta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga nos últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor de minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.

Sasha e Malia, eu amo vocês mais do que vocês podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que virá conosco para a nova Casa Branca. E embora ela não esteja mais entre nós, eu sei que minha avó está nos assistindo, junto com a família que me fez ser quem eu sou. Sinto sua falta esta noite. Sei que minha dívida para com eles vai além de qualquer medida.

Para minha irmã Maya, minha irmã Alma, todos os meus outros irmãos e irmãs, muito obrigado por todo apoio que vocês me deram Sou grato a eles.

E ao meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não glorificado desta campanha, que construiu a melhor, a melhor campanha política, eu acho, da história dos Estados Unidos da América. Ao meu estrategista-chefe David Axelrod, que foi um parceiro em cada passo do caminho. À melhor equipe de campanha já montada na história da política. Vocês fizeram isto acontecer, e eu serei eternamente grato pelo que vocês sacrificaram para fazê-lo.

Mas, sobretudo, eu jamais esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.

Eu nunca fui o candidato mais provável para este cargo. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos endossos. Nossa campanha não foi planejada nos salões de Washington. Ela começou nos quintais dos fundos de Des Moines, e nas salas de visitas de Concord, e nas varandas de Charleston. Ela foi construída por mulheres e homens trabalhadores que usaram toda pequena poupança que tinham para doar US$ 5, US$ 10, US$ 20 para a causa. Ela se fortaleceu com os jovens que rejeitaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram seus lares e suas famílias por empregos que ofereciam pouca remuneração e menos sono. Ela extraiu forças das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio cruel e o calor escaldante para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se apresentaram como voluntários, e organizaram, e comprovaram que mais de dois séculos depois um governo do povo, pelo o povo e para o povo não desapareceu da face da Terra. Esta vitória é sua.

E eu sei que vocês não fizeram isso apenas para vencer uma eleição. E sei que não fizeram isso por mim. Vocês o fizeram porque compreendem a enormidade da tarefa que temos pela frente. Pois enquanto estamos aqui celebrando nesta noite, sabemos os desafios que o amanhã nos trará são os maiores de nossas vidas - duas guerras, o planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.

Enquanto estamos aqui, nesta noite, sabemos que há bravos americanos despertando nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para arriscar suas vidas por nós.

Há mães e pais que se deitam e ficam acordados depois que os filhos adormecem e se preocupam sobre como conseguirão pagar a hipoteca, ou as contas de seus médicos, ou poupar o suficiente para a educação universitária de seus filhos. Há nova energia para explorar, novos empregos para criar, novas escolas para construir, e ameaças a enfrentar, alianças a reparar. O caminho à frente será longo. Nossa subida será íngreme. Talvez não consigamos chegar lá em um ano. ou mesmo em um mandato. Mas, América, eu nunca estive mais esperançoso do que estou nesta noite de que chegaremos lá.

Eu prometo a vocês, nós, como povo, chegaremos lá.

PÚBLICO: Sim, nós podemos! Sim, nós podemos! Sim, nós podemos!

OBAMA: Haverá recuos e falsos começos. Há muitos que não concordarão com cada decisão ou política que eu adotar como presidente. E nós sabemos que o governo não pode resolver todos os problemas. Mas eu sempre serei honesto com vocês sobre os desafios que enfrentamos. Eu ouvirei vocês, especialmente quando discordarmos. E, sobretudo, eu pedirei para vocês se unirem no trabalho de refazer esta nação, da única maneira que isso foi feito na América por 221 anos - bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada por mão calejada.

O que começou há 21 meses nas profundezas do inverno não pode terminar nesta noite de outono. Esta vitória sozinha não é a mudança que buscamos. É apenas a chance de fazermos essa mudança E isso não pode acontecer se recuarmos para a maneira como as coisas eram. Isso não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de serviço, um novo espírito de sacrifício. Portanto, vamos convocar um novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, em que cada um de nós decide pôr as mãos na massa e trabalhar mais duro e ser responsável não somente por si, mas pelo próximo.

Vamos nos lembrar de que, se esta crise financeira nos ensinou alguma coisa, é que não podemos ter uma Wall Street próspera enquanto os investidores comuns sofrem.
Neste país, nós ascendemos ou tombamos como uma nação, como um povo. Vamos resistir à tentação de cair no mesmo partidarismo e trivialidade e imaturidade que envenenou nossa política por tanto tempo.

Vamos nos lembrar de que foi um homem deste Estado (Illinois) quem primeiro carregou a bandeira do Partido Republicano para a Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da confiança em si mesmo e da liberdade individual e da unidade nacional. Esses são valores que todos nós compartilhamos. E embora o Partido Democrata tenha conquistado uma grande vitória nesta noite, nós o fazemos com uma dose de humildade e determinação de curar as divisões que tolheram nosso progresso.

Como Lincoln disse a uma nação bem mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora a paixão possa ter criado tensões, ela não deve romper nossos laços de afeição.
E para aqueles americanos cujo apoio eu ainda preciso conquistar, eu posso não ter obtido seu voto esta noite, mas ouço as suas vozes. Eu preciso de sua ajuda. E serei o seu presidente também.

E para todos aqueles que estão assistindo nesta noite de além de nossas praias, de parlamentos e palácios, para aqueles que estão acotovelados em torno de aparelhos de rádio nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são singulares, mas nosso destino é comum, e uma nova aurora da liderança americana está perto.

Para aqueles... para aqueles que dilacerariam o mundo: nós os derrotaremos. Para aqueles que buscam a paz e a segurança: nós os apoiamos. E para todos aqueles que se perguntavam se o farol da América ainda tem o mesmo clarão: esta noite provou uma vez mais que a verdadeira força de nossa nação vem, não do poderio de nossas armas ou da escala de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e esperança inflexível. Esse é o verdadeiro espírito da América: que a América pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperanças pelo que podemos e devemos alcançar amanhã.

Esta eleição teve muitas primeiras vezes e muitas histórias que serão contadas por gerações. Mas uma que está em minha mente esta noite é sobre uma mulher que depositou seu voto em Atlanta. Ela é muito parecida com os milhões de outros que fizeram fila para fazer sua voz ser ouvida nesta eleição exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos. Ela nasceu apenas uma geração após a escravidão; um tempo em que não havia carros na estrada nem aviões no céu; em que alguém como ela não podia votar por duas razões - porque ela era mulher e por causa da cor de sua pele. E nesta noite, eu penso em tudo que ela viu ao longo de seu século na América - a aflição e a esperança; a dificuldade e o progresso; os tempos em que nos diziam que não podemos, e as pessoas que avançaram com aquele credo americano: Sim nós podemos. Num tempo em que as vozes das mulheres eram silenciadas e suas esperanças desconsideradas, ela viveu para vê-las se erguer, e se manifestar e alcançar o voto. Sim nós podemos. Quando houve desespero no Dust Bowl e depressão em todo país, ela viu uma nação vencer o próprio medo com um New Deal, novos empregos, um novo senso de propósito comum. Sim, nós podemos.

PÚBLICO
: Sim, nós podemos.

OBAMA: Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçava o mundo, ela estava lá para testemunhar a ascensão de uma geração à grandeza e uma democracia foi salva. Sim, nós podemos.

PÚBLICO: Sim, nós podemos.

OBAMA
: Ela estava lá para os ônibus em Montgomery, as mangueiras em Birmingham, uma ponte em Selma e um pregador de Atlanta que disse a um povo que nós superaremos. Sim, nós podemos.

PÚBLICO: Sim, nós podemos.

OBAMA: Um homem desceu na lua, um muro caiu em Berlim, um mundo foi conectado por nossa própria ciência e imaginação. E neste ano, nesta eleição, ela tocou com seu dedo uma tela e depositou seu voto porque após 106 anos na América, passando pelo melhor dos tempos e as horas mais tenebrosas, ela sabe como a América pode mudar. Sim, nós podemos.

PÚBLICO: Sim, nós podemos.

OBAMA: América, nós chegamos tão longe. Nós vimos tanta coisa. Mas ainda há muito mais para fazer. Então, nesta noite, vamos nos perguntar - se nossos filhos vão viver para ver o próximo século; se minhas filhas tiverem a fortuna de viver tanto quanto Ann Nixon Cooper, que mudança elas verão? Que progresso nós teremos feito? Esta é nossa chance de responder a esse apelo. Este é o nosso momento. Este é o nosso tempo, para colocar nosso povo de novo no trabalho e abrir portas de oportunidade para nossos filhos; para recuperar a prosperidade e reafirmar essa verdade fundamental, que, de muitos, nós somos um; que enquanto respirarmos, teremos esperança. E onde formos recebidos com cinismo e dúvidas e por aqueles que nos dizem que não podemos, nós responderemos com aquele credo intemporal que resume o espírito de um povo. Sim, nós podemos Obrigado. Deus os abençoe! E que Deus abençoe os Estados Unidos da América.

 

Fonte: Tribuna da Imprensa, 6/11/2008

 

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