Presidente Chávez: O imperialismo foi o único perdedor na Cúpula do Rio PDF Imprimir E-mail
Internacional
ABN   
Seg, 10 de março de 2008 22:26
Caracas, 8 de março. ABN.- “Na XX Cúpula do Grupo do Rio houve um grande derrotado: o império norte-americano”, sustentou este sábado o presidente da República Hugo Chávez Frías, ao fazer um balanço do encontro que se levou a cabo na República Dominicana e no qual a América Latina demonstrou a capacidade para defender sua soberania.

“Devemos manifestar regozijo pelo extraordinário evento que ocorreu nesse país para a história das relações internacionais”, indicou o chefe de Estado durante o ato por motivo do Dia Internacional da Mulher, que se levou a cabo no salão Venezuela do Círculo Militar, em Caracas.

“Demonstramos ao império norte-americano e a seus agentes nestas terras que já não é Cuba sozinha, já não é Venezuela sozinha que estão dispostos a enfrentar as arremetidas do império”, reiterou.

Sustentou que ninguém duvida e ninguém deve duvidar que “é o império norte-americano o que todos os dias anda elaborando planos, desenvolvendo ações de distintos gêneros para tratar de freiar o processo de mudanças na América Latina, para tratar de impedir a união, a verdadeira união entre nossas repúblicas, entre nossos povos”.

Assim, apoiou a colocação de Fidel Castro sobre o tema, que aparece num artigo escrito pelo líder cubano e publicado este sábado no diário Granma. Nele, Fidel faz uma reflexão: "O único perdedor da Cúpula do Rio são os Estados Unidos".

Durante suas palavras, o presidente Chávez assinalou que o impacto da Cúpula se terá que ir medindo em perspectiva. “Tem que se medir a magnitude do impacto que teve todo o evento, não só seu resultado, mas todo o evento”.

“Como vai mudando nossa América”, ressaltou, ao sustentar que o que ontem (sexta-feira) ocorreu na República Dominicana o evidencia.

'Passamos horas muito tensas desde o sábado passado, quando ocorreu o fato sem precedentes de violação da soberania equatoriana (por parte do Exército da Colômbia) e a tensão subiu ao máximo”, recordou Chávez Frías, ao reconhecer que esta foi uma verdadeira prova de fogo.

Depois de manifestar seu orgulho pelo logro obtido após a intensa reunião desta sexta-feira, o chefe de Estado destacou: “Demonstramos que somos capazes de nos por de pé com dignidade. Somos capazes de demonstrar nossa vontade de nos unir e de ser livres, como o fizemos nestes últimos dias Equador, Nicarágua, Venezuela e quase todos os países da nossa América”.

Em seu balanço do ocorrido na Cúpula, o presidente também comentou: “demonstramos uma grande capacidade para nos pôr de acordo ante uma situação de crise. Demonstramos firmeza, capacidade, cada qual com seu estilo”.

“Demonstramos que somos capazes, em conjunto, de defender nossa soberania”, disse, ao recordar as palavras do presidente equatoriano Rafael Correa, quando sinalizou: “estamos dispostos a ir até as últimas conseqüências para defender o direito de nossos povos a ser livres, soberanos”.

Também “demonstramos ser capazes de nos defender coletivamente e de acordar coletivamente. Demos uma demonstração da fortaleza de nossos Governos ante o império norte-americano”, reiterou.

Após este êxito dos países latino-americanos, Chávez Frías ordenou a volta à normalidade na fronteira colombiano-venezuelana. “A partir desta terça-feira regressarão as tropas que saíram com a pátria em alto a reforçar as tropas que permanecem na fronteira”, anunciou.

De todo modo, “vamos continuar atentos à solução dos problemas que incomodam o povo”, disse, ao mencionar, entre outros aspectos, a segurança, os alimentos, os remédios, a educação, a saúde, as microempresas; a construção do socialismo, que é o projeto, a economia socialista.

O líder da Revolução bolivariana anunciou igualmente que cede o espaço do Alô, Presidente deste domingo 9 devido às eleições da direção do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

 

 

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Com todo respeito: Que papelão!

Vicente Sawisky
 
O desenlace da reunião de Santo Domingo foi uma bofetada na cara de cada ativista e militante de esquerda que se mobilizou em várias cidades do mundo na tentativa de isolar o para-militarismo assassino de Uribe. Foi muito ruído para tão poucas nozes. Nada de condenação expressa, nada de ruptura, nada de enfrentamento contra o governo colombiano títere de Bush e sua política imperialista. Foi triste ver as fotos de Correa e Chávez apertando a mão "ensangüentada" de Uribe e posar para fotos onde Chávez e Uribe aparecem juntos com amplos sorrisos, como velhos amigos.
 
Ou acaso era mentira que Uribe é um assassino e mentiroso que representa o para-militarismo; que o governo da Colômbia intenta converter-se no Israel da América Latina; que o presidente desse país, para justificar suas intervenções guerreiras em países vizinhos usa a mesma doutrina de Bush para invadir e agredir os povos do mundo?
 
Onde ficou a ruptura de relações para isolar o assasino Uribe? Até Ortega, que votou contra a resolução centrista dessa lixeira que é a OEA, já começou a recuar e diz que voltará a reatar as relaciones. Chávez que dois dias antes ameaçou expropriar as empresas colombianas e declarou que "não queria nem um grão de arroz da Colômbia", acabou afirmando: "o comércio com o país vizinho deve continuar crescendo" e rematou: "Deixemos de lado os enfrentamentos pessoais do momento, somos caribenhos ao fim e ao cabo". Não é casual que depois disso, o presidente da OEA elogie tanto Chávez.
 
 Com todo respeito, é um grave erro jogar com as expectativas das pessoas, muito mais com sua disposição de luta. Isto desarma, desmoraliza e frustra aqueles que querem lutar de verdade contra o imperialismo e pelo socialismo. Ninguém em seu sã juízo podia querer uma guerra fratricida entre equatorianos ou venezuelanos e colombianos, como pareceu perigar em algum momento, mas se todos entendemos que era um momento propício para assestar-lhe um duro golpe a Uribe-Bush e de introduzir uma grande crise nessa cova de bandidos que é a OEA, começando por seu presidente Insulza.
 
 Ocorreu todo o contrário, Uribe sai ganancioso desta crise. Consiguiu evitar a condenação e negociar uma resolução centrista que até EE.UU. votou. Desta forma, estará mais forte para continuar aplicando políticas repressivas contra o povo trabalhador, dando duros golpes na FARC e com maior poder interno para reformar a constituição e ir por um terceiro mandato. Por outra parte, a OEA, que estava quase morta e desmoralizada reviveu e depois de décadas de descrédito, sai com a vitória de ser a instituição que conseguiu resolver a crise.
 
 Cabe perguntar-se se não serão estas contradições entre um discurso "radical" e "revolucionário" e uma prática reformista e conciliadora o que produz resultados como os do 2D, ou o que leva a muitos companheiros a começar a descrer no processo e a desconfiar sobre os rumos do mesmo. Seguro que los grosseiros métodos burocráticos utilizados para criar o PSUV não ajudarão em nada para aliviar a desconformidade crescente nas fileiras dos trabalhadores e setores populares. Por isso é fundamental abrir um debate sobre algumas tarefas impostergáveis, entre as quais, sem dúvidas, está colocada a necessidade de construir de forma urgente, uma nova ferramenta política dos trabalhadores.
 
Que este desgraçado episódio sirva para tirar lições. A primeira é a de agudizar o sentido crítico para começar a exigir menos palavras e ameaças e mais ações concretas e conseqüentes com o discurso. O processo venezuelano é o mais avançado da América Latina e como tal devemos defendê-lo, não porque é a obra de um iluminado e sim porque é o resultado de décadas de gloriosas lutas de um povo que, sem descanso, desde o Caracazo, fez inumeráveis demonstrações de heroísmo. Busquemos saber como fez o Che Guevara na reunião da OEA para defender a pequena Cuba dos ataques do imperialismo e seus governos títeres. Seguramente que não foi cantando um merengue.
 
Fonte: Aporrea

 
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