| Pronunciamento de Cynthia McKinney sobre a candidatura de Barak Obama |
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| Internacional |
| Cynthia McKinney |
| Seg, 09 de junho de 2008 11:49 |
No sábado, 07 de junho de 2008, Hilary Clinton anunciou que sua campanha presidencial 2008 chegou ao fim, tornando-se Barak Obama o primeiro candidato presidencial negro de um importante partido na história dos Estados Unidos.Congratulações a Barak Obama por tal proeza! Quando eu estava crescendo no Sul dos Estados Unidos, na racialmente turbulenta década de 1960, teria sido impossível para um político negro tornar-se um candidato presidencial viável. Nada que um candidato negro poderia ter feito ou dito teria impedido-o de ser excluído(a) apenas pela cor da pele. Muitos de nós nunca pensamos que veríamos em nosso tempo de vida uma pessoa negra com uma possibilidade real de tornar-se presidente dos Estados Unidos. O fato de que isto agora é possível é um sinal de algum progresso racial neste país, depois de mais de quarenta anos das Leis de Direitos Civis e Direitos de Voto. Mas é também um sinal de profundo descontentamento entre o povo americano, e especialmente entre os africanos americanos, com as políticas empresariais, dominadas pelas corporações, que têm prevalecido em Washington por muitos anos. Vindo de Barak Obama, a palavra “mudança” não parece um outro slogan vazio de campanha. Foi galvanizada por milhões de pessoas – a maioria, jovens – que se inscreveram para votar e conseguir ter voz ativa no sistema político. O sistema político dos Estados Unidos necessita de todos os seus cidadãos participando no processo político. A participação dos cidadãos é sempre a resposta. O senador Barak Obama é instado a sanar as mazelas infligidas aos trabalhadores e aos pobres do nosso país depois de oito anos de uma administração criminosa e corrupta de Bush-Cheney. Tal como em novembro de 2006, pessoas cheias de expectativa por mudança, incluindo aqueles que o sistema tem propositadamente excluído e deixado para trás, reuniram-se nas mesas eleitorais para votar no Senador Obama. Depois de um grande golpe no povo deste país e naqueles que são afetados pela política estrangeira dos Estados Unidos, há uma real expectativa, um desejo real, por mudança. Enquanto congratulo o Senador Obama por esta proeza, eu também gostaria de enfocar a muita e real necessidade de mudança e um pouco das questões que deveriam ser tratadas para que a mudança efetivada neste país possa ser real. Antes de tudo, um pouco dos mais óbvios fatos: A United for a Fair Economy (UFE) produz estudos a cada ano no aniversário de nascimento de Martin Luther King, intitulados relatórios do Estado do Sonho. A UFE tem percebido que alguns índices de disparidades raciais que existem hoje são piores dos que no tempo do assassinato do Dr. Martin Luther King. Por exemplo, a mortalidade infantil, onde no ranking mundial o global Estados Unidos perde para Cuba, Israel e Canadá. Eles também têm percebido que, sem uma intervenção política pública, levaria cerca de 5.000 anos para estreitar o fosso de habitação entre negros e brancos neste país, especialmente exacerbado por causa da desproporcional crise de cobrança de hipotecas hoje enfrentada por negros e latinos. Eles concluíram que levaria 581 anos, sem uma intervenção política pública, para estreitar a diferença de renda neste país. A UFE tem percebido disparidades raciais inaceitáveis existentes na economia, na justiça e nas questões de segurança. Depois de analisar o impacto da agenda das “Primeiras 100 Horas” do Partido Democrático, com o domínio da maioria congressional, a UFE concluiu em seu relatório de 2007 que os negros votam no Azul (o que significa que eles sustentam ao votar na cabina eleitoral), mas vivem no Vermelho (eles não conseguem os resultados políticos públicos que aqueles votos merecem). E a UFE notou que o furacão Katrina não foi sequer mencionado em toda a agenda das 100 Primeiras horas de 2007 da maioria Congressional Democrática. A UFE não é a única organização a encontrar tais estatísticas desoladoras, refletindo a vida de muitos neste país. Em um estudo não tão distante, Dr. David Satcher concluiu que cerca de 83.000 negros morreram desnecessariamente, devido às disparidades raciais no acesso aos cuidados com a saúde e por causa do tratamento desigual que os negros recebem depois do acesso. Um estudo da Hull House descobriu que a desigualdade racial na qualidade de vida entre negros e brancos de Chicago levaria 200 anos para ser eliminada sem uma intervenção política pública. A Liga Urbana Nacional, em sua publicação anual “Estado da América Negra”, basicamente concluiu que os Estados Unidos não têm feito nada para diminuir as inaceitáveis, e de longa data, disparidades raciais. O Relator das Nações Unidas para Formas Especiais de Racismo M. Doudou Diene, do Senegal, também recentemente deixou este país em uma sem precedente missão de verificar as violações aos direitos humanos nos Estados Unidos. Dr. Jared Ball submeteu ao relator Diene, em meu nome, minha declaração depois da sentença do policial Sean Bell. As Nações Unidas têm já expressado sua preocupação pelo tratamento dado aos sobreviventes dos furacões Rita e Katrina e pelos assassinatos extrajudiciais que tomaram lugar em nosso país, que especialmente tiveram como alvos os homens latinos e negros, especialmente nas mãos das autoridades representantes da lei. Eu espero que esteja claro que o desejo de mudança é tão profundamente sentido porque ela é profundamente necessária. Os políticos, através de políticas públicas, podem tratar de todas estas e outras questões em favor do povo. Nós não temos que aceitar ou tolerar tais disparidades evidentes em nossa sociedade. Nós não temos que aceitar ou tolerar os gastos inchados do Pentágono, cortes injustos nos impostos , ataques a nossas liberdades civis e aos direitos dos trabalhadores à sindicalização. Nós não temos que aceitar ou tolerar que nossas crianças desistam da escola secundária, da educação universitária inalcançável porque a mensalidade é tão alta, ou nosso país está impregnado de dívida. As estatísticas do século XXI para nosso país refletem um país que pode até ser caracterizado como fez Dr. King muitos anos atrás: o maior fornecedor de violência do planeta. Não tem que ser desse modo. E o povo sabe disso. Eu tenho aceitado como a plataforma da Campanha do Poder para o Povo, o 10-Point Draft Manifesto do Movimento de Reconstrução, um grupo de ativistas negros que se juntaram e se reuniram logo depois dos furacões Rita e Katrina para defender iniciativas políticas públicas que tratassem da situação crítica de negros e outros oprimidos neste país. Entre seus muitos pontos de políticas públicas específicas, o Draft Manifesto reivindica: * eleições integrais, se nosso voto é para significar alguma coisa de algum jeito, todos os partidos políticos devem defender a integridade dos votos do povo americano, algo que nenhum dos dois maiores partidos têm feito efetivamente no passado nas duas eleições presidenciais; * financiar um enorme programa de melhoria da infra-estrutura, que é também um programa de trabalho que oxigene nossa economia e coloque o povo para trabalhar, e especialmente em New Orleans e na Coast Gulf, sobreviventes dos furacões, tratados como pessoas internamente desalojadas, cujo direito de votar e o direito de retornar estão protegidos, desempenhando um papel significativo na reconstrução de suas comunidades; * reconhecer o acesso à moradia como um direito humano fundamental e interromper a destruição sem sentido da casa pública em New Orleans; * realizar reparação para os africanos americanos, para que as duradouras disparidades raciais que refletem o fracasso do governo dos Estados Unidos para lidar com a realidade e os vestígios da escravidão e as leis injustas possam acabar e o reconhecimento da situação crítica dos agricultores negros, cujas questões não são ainda adequadamente tratadas pela USDA e pelos mediadores designados pelos tribunais, a despeito da admissão do governo dos Estados Unidos de culpa pela discriminação sistemática; * conhecer COINTELPRO e outros espiões governamentais e programas de desestabilização da década de 1960 até hoje e revelar o papel do governo dos Estados Unidos na perseguição e prisão ilegal de ativistas políticos no país, incluindo Abu-Jamal, o San Franciso 8, Leonard Peltier, inclusive indenização às vítimas pelo abuso do governo e a seus familiares pelo sofrimento que eles têm suportado há muito tempo; * pôr fim às prisões por vantagem e às “guerras às drogas”, os quais movem a criminalização de jovens latinos e negros aqui e fornece a fachada para a intervenção militar dos Estados Unidos nos países estrangeiros, particularmente, para o sul, a qual é usada para minar todos os movimentos de protesto social em países como México, Colômbia, Peru, Equador e outros lugares; * criar um acesso universal, de único pagador, ao sistema de saúde e um salário digno, pagamento igual por igual trabalho, rejeitando os impostos de Bush, e fazendo as corporações e os ricos a pagarem sua parte justa de impostos; * estabelecer um fundo público para a educação superior – nenhum estudante deveria graduar-se em faculdade ou universidade com dezenas ou centenas de milhares de dólares de dívida; * garantir os direitos dos trabalhadores a 1) revogar Taft-Hartley e parar a demissão injusta dos organizadores dos sindicatos, proibir os fura-greves e possibilitar aos trabalhadores exercitar suas vozes no trabalho e 2) fazer leis para as corporações dos Estados Unidos que mantenham o padrão da força de trabalho aqui e o aumente no exterior, o que exigiria revogar o NAFTA, CAFTA, o FTA Caribenho e o FTA Estados Unidos-Peru; * justiça para os trabalhadores imigrantes, incluindo uma reforma real da imigração que forneça anistia para todos os imigrantes sem documento; * criar um Departamento de Paz que impulsionaria projetos de paz por todo o mundo, colocando os nossos diplomatas para ajudar a resolver os conflitos através de meios pacíficos e supervisionar a retirada pacífica das tropas dos Estados Unidos de mais de 100 países ao redor do mundo onde estão estacionadas e um imediato fim a todas as guerras e ocupações pelas forças dos Estados Unidos, iniciando no Iraque e no Afeganistão, e reduza o orçamento do Pentágono; A Campanha Poder para o Povo visitou 24 estados e eu acredito que já há um amplo apoio de um lado a outro de nosso país a estas posições políticas. O povo merece um debate aberto e honesto sobre estas e outras questões. Eu incentivo o Partido Democrático e seu novo presumível candidato, Senador Obama, a abraçar estas importantes sugestões em suas iniciativas políticas. fonte: http://www.runcynthiarun.org/ |



No sábado, 07 de junho de 2008, Hilary Clinton anunciou que sua campanha presidencial 2008 chegou ao fim, tornando-se Barak Obama o primeiro candidato presidencial negro de um importante partido na história dos Estados Unidos.
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