Na América Latina foram muitos os presidentes que chegaram ao cargo com promessas de políticas sociais que deixariam abandonadas para se entregarem ao serviço dos sectores mais oligarcas, desde os empresariais aos militares. Por isso, o caso de que o presidente Manuel Zelaya nas Honduras, chegado ao poder como candidato do Partido Liberal, tivesse realizado o caminho contrário, adoptando iniciativas sociais e progressistas imprevistas num candidato neoliberal, era todo um sacrilégio.
O que estava convocado para Domingo, o que os golpistas impediram, não foi a reeleição permanente de Zelaya nem a presidência vitalícia. Nem sequer a reforma da Constituição. O que era votado era uma consulta não vinculativa para perguntar aos hondurenhos se gostariam que nas próximas eleições, nas de Novembro, se votasse também a criação de uma Assembleia Constituinte que reformasse a Carta Magna. Em resumo: era algo aparentemente tão inofensivo como perguntar se se podia perguntar para reformar a constituição, algo que, por outro lado, a própria constituição hondurenha impede.
Honduras, nação que com muito esforço procura reconstruir a democracia há duas décadas após trinta anos de ditaduras, é o cenário escolhido pela cúpula castrense e pelo mais conservador da elite política para arremeter contra os projetos transformadores da realidade social na área. O motivo esgrimido: a intenção do presidente constitucional Manuel Zelaya de conhecer se a cidadania está de acordo ou não de incluir uma urna nas eleições gerais de novembro em torno a uma Assembléia Nacional Constituinte e da reforma da carta magna.
O artigo de Domenico Losurdo, publicado no site da Fundação Lauro Campos, sobre os vinte anos do massacre de Tiananmen, expõe uma visão bastante parcial dos acontecimentos. O filósofo italiano se alinha com a burocracia chinesa e busca argumentos para justificar a repressão e o assassinato de milhares de jovens.
Foram dois meses de protestos e bloqueios de estradas, com um saldo de pelo menos trinta e quatro mortos, mais de sessenta desaparecidos e mais de uma centena de feridos. A convulsão social não deixou ao presidente García outra saída que retroceder.
O Irã vive o momento de maior agitação desde a revolução islâmica de 1979. Com milhões de pessoas nas ruas contestando o resultado das eleições presidenciais, supostamente ganhas pelo atual presidente Ahmadinejad, os protestos já dividem o regime e as consequências são imprevisíveis.
Uma manchete da CNN, informando sobre os planos de Obama para o seu discurso de 4 de Junho no Cairo, Egipto, reza assim: «Obama procura chegar à alma do mundo muçulmano». Talvez isso capture a sua intenção, mas mais significativo é o conteúdo escondido, ou mais precisamente, omitido pela pose retórica.
Há 20 anos, Zhao Ziyang tentava tomar o poder na China com o apoio da CIA. O que deveria ser a primeira "revolução colorida" da História fracassou. Em uma apresentação totalmente truncada, a propaganda atlantista impôs as imagem de uma sublevação popular esmagana no sangue por uma ditadura comunista cruel. A imprensa ocidental celebra hoje o vigésimo aniversário do acontecimento com grande pompa, para melhor denegrir a China popular, que se tornou a segunda potência econômica do mundo.
Professor de Ciências Políticas e membro do Socialist Worker Party, Alex Callinicos analisa o contexto e a oportunidade de defesa da representação proporcional pela esquerda britânica, diante da proposta de reforma eleitoral apresentada pelo primeiro ministro inglês Gordon Brown, no dia 10 de junho. Para Callinicos, é importante que a esquerda não se atrapalhe num debate sobre a reforma constitucional que, em muitos aspectos, serve aos interesses dos grandes partidos.
Nas eleições europeias, a direita ficou à frente, enquanto os partidos filiados no Partido Socialista Europeu sofreram uma séria derrota, nos quatro maiores países da UE: Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália. As maiores derrotas foram sofridas pelos trabalhistas ingleses, que passaram a terceiro partido, e os socialistas franceses, que perderam mais de metade dos seus eurodeputados.
De Cuzco, no Peru, via mensagem de correio eletrônico,Hugo Blanco fala sobre a heróica resistência dos povos indígenas da Amazônia peruana e do massacre perpetrado contra eles pelo governo aprista do presidente Alan García. Como enfatiza o ex-guerrilheiro, "a luta amazônica há de continuar, exigindo o respeito à selva".