A imprensa regional noticiou com estardalhaço típico a filiação do Senador (Rondônia) Expedito Júnior ao PSDB. Mesma notícia, reproduzida de forma idêntica por todo o noticiário, dá conta de que "o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, e os senadores Arthur Virgilio (PSDB-AM) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) vão abonar a ficha de filiação de Expedito Junior". Os velhos cavaleiros da moralidade Arthur Virgílio e Tasso Jereissati, de olho nas alianças e na ampliação do seu curral, não vêem problema em trazerem um senador condenado por crimes eleitorais e o ânimo de corromper a vontade popular.
Está tramitando no Congresso Nacional uma contra-reforma eleitoral. Saiu da Câmara e está atualmente no Senado. Há um esforço amplamente majoritário, do PT ao DEM, para aprovar e sancionar essa contra-reforma dentro do prazo que garanta as novas regras já para 2010.
Em meio à seqüência de escândalos que abalam a imagem do vetusto Senado brasileiro, uma violência contra a democracia e a transparência no trato com a coisa pública está em vias de ser perpetrada. Trata-se do projeto de lei que organiza mais um arranjo eleitoral no interesse dos atuais portadores de mandato e, principalmente, dos grandes partidos - aí, sem distinção entre os da direita carcomida e os que já se pretenderam de esquerda.
Tempos atrás, quando o PT ainda era o PT e a gestão do receituário neoliberal prerrogativa exclusiva dos tucanos, havia maior nitidez no debate sobre a reforma política. Até chegar ao governo central, quando começou a praticar com desenvoltura crescente o que nunca predicara, o PT era portador de um projeto de mudança radical: outro modelo econômico, ética na politica. Alimentava até, os mais antigos hão de se lembrar, a esperança de inaugurar uma "nova gramática do poder".
Não há remédio milagroso, capaz de curar as distorções anti-republicanas inerentes à pratica quotidiana do nosso sistema parlamentar. Mas certamente o voto em lista, com financiamento público, seria o mais eficaz para a eliminação de algumas das mais graves distorções que hoje assolam nosso Parlamento.
A reforma política, a julgar pelo noticiário da semana, voltou para o seu habitat natural: o patamar do impasse. Todos se dizem entusiastas da reforma: ministros de alto coturno, dirigentes dos principais partidos, próceres destacados da situação e da oposição, além do próprio presidente da Republica, que declara por ela superlativo apreço: "a mãe de todas as reformas". No entanto, um paradoxo: basta entrar na pauta de votação do Congresso Nacional para que o assunto, por algum misterioso motivo, seja remetido para além da linha do horizonte. Não dá outra.
Está na pauta do Congresso, entre os pontos mais importantes da reforma política, a proposta de alteração no tipo de lista adotado nas eleições brasileiras. Nada mais oportuno. Afinal, a chamada "NTV", nome técnico da lista aberta ou "não ordenada", tem se revelado, ao longo do tempo, uma moldura adequada para a reprodução das mais escabrosas distorções da nossa cultura política.
O cidadão que observa com senso crítico os acontecimentos da política sabe que o financiamento de campanhas, no formato atual, é fator incontrolável de corrupção. A enorme fieira de grandes escândalos das últimas décadas se origina, sem sombra de dúvidas, na lógica do financiamento eleitoral privado. Provas? Basta puxar pela memória, em qualquer dos casos, para dar de cara com as figuras tristemente famosas dos tesoureiros de campanha: Delúbios, Valérios, PCs Farias e afins.
As campanhas eleitorais no Brasil estão entre as mais caras do mundo. Tal realidade, reveladora do extraordinário poder do dinheiro na definição da representação política, se reafirma como uma tendência que se avoluma a cada pleito. Toda eleição é mais cara do que a sua congênere anterior. Com isso, a conquista de mandatos e a formação do poder político, que pela Constituição deveria emanar do povo e em seu nome ser exercido, cada vez mais se realiza sob a batuta dos donos do dinheiro.
Recentemenete o instituto Data-Folha divulgou nova rodada de pesquisa de intenção de votos para a presidência da República. A ex-senadora Heloisa Helena, presidente nacional do PSOL, figura como um nome bem consolidado em parcela significativa do eleitorado. Na pesquisa estimulada, nos mais variados e possíveis cenários, Heloisa Helena oscila entre 13%, quando disputa simultaneamente com José Serra, Aécio Neves, Ciro Gomes e Dilma Roussef, até 27%, quando, disputando apenas com Aécio Neves e Dilma Roussef, a ex-senadora alagoana lidera as pesquisas.