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Sergio Granja
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Sáb, 02 de janeiro de 2010 13:09 |
Nelson Rodrigues, reacionário ou revolucionário? Ao se declarar reacionário, Nelson assumiu uma posição de direita, sem subterfúgios. Pode-se acusá-lo do que for, menos de dissimulação. A distinção entre reacionário e revolucionário ─ ou, o que dá no mesmo, entre esquerda e direita ─ soa claramente desconfortável para Magaldi, Rui Castro, Wilson Figueiredo e outros autores. E o próprio Nelson finalmente repetiria, em diversas entrevistas, a resposta à indefectível pergunta: ─ "O senhor é reacionário?" ─ "Não, sou um libertário. Reacionária é a URSS". Para Magaldi, Nelson apenas não aceitava "a submissão do indivíduo a qualquer regime totalitário". Mas será mesmo? E a submissão à ditadura militar brasileira?
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Sergio Granja
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Qui, 31 de dezembro de 2009 13:12 |
Em março de 1961, quando ainda escrevia na Última Hora a coluna A vida como ela é, Nelson começa a escrever também no semanário Brasil em Marcha. Foi nesse semanário que ele abriu uma polêmica com o Vianninha (Oduvaldo Vianna Filho). Nessa época, havia espaço para a polêmica, coisa que se tornou impossível sob a ditadura militar. Num artigo intitulado A cambaxirra da revolução, Nelson criticava a peça Patria o Muerte de Vianninha, ridicularizando-a por se interessar pela revolução cubana em vez de se ocupar do Brasil. Para Nelson, Vianninha era a cambaxirra da revolução.
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Sergio Granja
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Ter, 24 de novembro de 2009 11:46 |
O anticomunismo de Nelson Rodrigues é proverbial. Pode-se inscrevê-lo na herança dos Rodrigues. Mas, como quase tudo nessa tradição familiar, não isento de contradições. O jornal do seu pai, A Manhã, embora afinadíssimo com a República Velha, teve seus laivos esquerdizantes. Foi no começo de 1927, quando Pedro Mota Lima foi, por poucos meses, diretor-substituto do jornal. Nesse período, surgiu uma secção de página inteira cujo título era A Manhã proletária, que cobria as noticiais sindicais.
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Sergio Granja
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Ter, 24 de novembro de 2009 10:58 |
A posição de Nelson em relação à emancipação feminina é problemática. Já o jornal de seu pai, A Manhã, acolhera em suas páginas colaboradoras como a jovem Nise da Silveira, que defendiam o voto feminino, o direito da mulher ao trabalho, a andar na rua e a vestir-se como quiser. Mas há um episódio marcante em sua vida que foi o assassinato de seu irmão Roberto.
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Sergio Granja
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Seg, 23 de novembro de 2009 14:59 |
Numa crônica cujo título ─ Onde estão os negros brasileiros ─ já diz muito, Nelson relata a visita de Jean Paul Sartre ao Rio de Janeiro. Nelson conta que Sartre e Simone de Beauvoir foram recepcionados num apartamento em que a dona da casa ofereceu-lhes uma tigela de jabuticabas e que o filósofo as comia demonstrando um certo tédio. Até que, na vigésima jabuticaba, para um momento e faz, com certa irritação, a pergunta: ─ "E os negros? Onde estão os negros?"
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Sergio Granja
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Dom, 15 de novembro de 2009 17:29 |
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Em 1974, numa breve apresentação a Elas gostam de apanhar, seleção de 26 contos de "A vida como ela é..." (coluna publicada de 1951 a 1961 no jornal Última Hora), Nelson Rodrigues, ao desqualificar o riso, confere um papel central à idéia da morte. Ele argumenta que "rir num mundo miserável como o nosso é o mesmo que, em pleno velório, acender o cigarro na chama de um círio".
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Flávio Braga
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Ter, 21 de julho de 2009 14:51 |
Em prefácio a Aden, Arábia, de Paul Nizan, Jean Paul Sartre assinala que "os comunistas não acreditam no inferno, acreditam no nada". Isto a propósito da decisão do PC da França em aniquilar o "camarada" Nizan por suas posturas desesperançadas. Guardadas as proporções e as penas infligidas, com a diferença de apenas dois anos, a brasileira Elvira Cupello Calônio foi vítima da mesma frieza "revolucionária."
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Flávio Braga
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Dom, 24 de maio de 2009 16:53 |
O romance, gênero que conheceu o ápice no final do século XIX, mas resiste à morte anunciada há, pelo menos, um século, completou 406 anos de existência, se consideramos a impressão de D. Quixote como sua gênese. Obra lançada no mês de abril, analisa as suas dificuldades para se firmar, principalmente diante dos controles exercidos sobre o nosso imaginário. Trata-se de O controle do imaginário e a afirmação do romance (Cia das Letras), do professor Luiz Costa Lima.
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Sergio Granja
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Qua, 03 de dezembro de 2008 17:52 |
A produção ficcional do português Mario de Carvalho guarda marcas textuais multívocas. Com isso, não queremos fazer referência a um trabalho formal de linguagem que explore a semântica da polivalência dos signos. Referimo-nos, isto sim, a um discurso literário capaz de despertar o discurso interior do leitor a partir de diversos patamares de interpretação: do mais ingênuo ao mais elaborado. Estes ensejam diferentes camadas de significação nos vários níveis de leitura possíveis. Uma escritura em palimpsesto.
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Sergio Granja
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Ter, 02 de dezembro de 2008 17:37 |
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LAVOURA ARCAICA se encaixa no contexto ficcional da literatura de imigrante. Essa é uma produção literária cuja dicção traz a marca de uma extraterritorialidade resistente ao apagamento. Adverte-se aí um impasse existencial, um doloroso apartamento das origens e uma busca hesitante de inscrição no destino. Por um lado, temos uma origem enraizada nos milênios, na qual se entrecruzam as tradições maronita e mulçumana. Por outro, um destino que se constitui historicamente como porto de chegada, solo onde se operam novos cruzamentos e novos enraizamentos de desenraizados (transplantes).
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