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Mário de Andrade
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Qui, 24 de dezembro de 2009 13:53 |
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O nosso primeiro Natal de família, depois da morte de meu pai acontecida cinco meses antes, foi de conseqüências decisivas para a felicidade familiar. Nós sempre fôramos familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato da felicidade: gente honesta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves dificuldades econômicas. Mas, devido principalmente à natureza cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, de uma exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas felicidades materiais, um vinho bom, uma estação de águas, aquisição de geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom errado, quase dramático, o puro-sangue dos desmancha-prazeres.
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Sergio Granja
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Dom, 13 de dezembro de 2009 20:38 |
Quando procurei o Iúri para dizer que não via mais sentido em continuar no partidão, ouvi dele que era para eu ter paciência, que algo de diferente estava sendo gestado. Nós éramos do Comitê Secundarista do PCB no Rio de Janeiro. Eu não me conformava com a linha política absentista do partido na luta contra a ditadura. É claro que o papo não foi exatamente nesses termos, mas foi mais ou menos esse o teor da conversa.
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Sergio Granja
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Dom, 13 de dezembro de 2009 20:27 |
Morava eu em Paris e tinha um passaporte do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, quando, por volta de 1978, viajei com outros exilados para participar de um evento na Costa Rica. Era um seminário sobre a América Latina, patrocinado pela Federação Mundial da Juventude Democrática. Não tenho muita certeza do ano, mas o mês era dezembro, sem dúvida.
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Ricardo Crô
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Qua, 25 de março de 2009 13:53 |
Lá, bem adiante, naquele Reino tão... tão distante, entre vales e montes, riachos, lagos e fontes, vivia um Rei. O Grande Logro. Ao contrário de outros monarcas de seu tempo, ele não alcançou seu trono por descendência, por hereditariedade. Foi por incidência. Por conseqüência de sua “astuciosidade”.
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Flávio Braga
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Sáb, 27 de dezembro de 2008 14:59 |
Ele contou quando chegavam os pratos à mesa: feijão, arroz, carne de banda engordurada e batatas; começou no assunto se gabando, como quem quer dizer coisa que valha; levantei o olhar da comida quando senti carência de atenção; o assunto passou a interessar. Era policial miúdo, segundo não disse, mas tinha função que julgava importante: torturava.
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Sergio Granja
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Qua, 03 de dezembro de 2008 14:28 |
Dormindo de bruços só se escutam ruídos. Por isso, vira-se de barriga para cima. A sombra salta do escuro, pula por cima da cama, projeta-se pela janela e some no negrume da noite. K. esfrega os olhos antes de levantar. Tem o costume de dormir nu. Sai assim mesmo porta afora. A rua está deserta. |
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Sergio Granja
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Qua, 28 de maio de 2008 10:50 |
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Na saleta não há um relógio de parede. Estranho, muito estranho, porque escutarás o seu tique-taque. Não exatamente assim, mas um tique, uma pausa ligeira, um taque, que repetir-se-ão em intervalos regulares, numa mesma altura, num compasso monocórdico, em perpétua seqüência monótona: tique... taque... tique... taque... tique... taque...
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Sergio Granja
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Qua, 14 de maio de 2008 20:27 |
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Os nomes, não sei. Nunca soube ou me esqueci. A desmemória é perversa. Mas, como o cego que desenvolve habilidades auditivas e táteis compensatórias, desenvolvi a capacidade de imaginar. Esse é o aspecto positivo da amnésia. Se não sei, invento. E de tão imaginativo, de tão acostumado a me equilibrar no limiar entre o que é e o que poderia ser, fui aos poucos perdendo a percepção da diferença entre tudo o que vivi ativamente na invenção e aquilo a que assisti passivamente fora dela. Enfim, como diria o outro, palavras, palavras...
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Arthur Charles Clarke
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Sex, 21 de março de 2008 11:55 |
Estamos a 3.000 anos-luz do Vaticano. Um dia, acreditei que o espaço não tinha poderes sobre a fé, assim como acreditava que os céus proclamariam a glória da obra de Deus. Agora, já vi essa obra e minha fé se encontra seriamente abalada. Olho para o crucifixo, suspenso na parede da cabine, acima do computador Mark VI, e pela primeira vez em minha vida me pergunto se não será um símbolo vazio.
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Flávio Pinto Vieira
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Qui, 13 de março de 2008 18:46 |
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Certa noite tive uma idéia, daquelas que chegam sem nenhuma explicação aparente, de escrever uma topografia sentimental de Copacabana. O método seria simples: cada rua me levaria a lembranças, evocações, alegrias, tristezas quiçá, saudades sem dúvida. Exercícios mnemônicos. Vamos a eles.
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