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Washington, 18 fev. (PL) ― A crise sem precedentes que impacta todos os setores da economíi, das finanças e do comércio dos Estados Unidos, empurrou a porta e penetrou no semanário Newsweek.
Considerada a segunda publicação de seu tipo mais importante dessa nação ― atrás do Time ―, a revista mudará seu projeto gráfico, papel, imagem e até os conteúdos para poder afrontar o que os expertos denominam “uma travessia pelo deserto”.
“Acabaram-se as coberturas obrigatórias dos grandes eventos”, advertiram executivos de Newsweek como o editor Jon Meacham.
”Se não temos algo original que contar, não o faremos”, disse Meacham para o The New York Times.
“Perseguir as noticias da semana para acrescentar-lhes um par de detalhes novos ― cutucou ― já não é sustentável”.
Análises e prognósticos diversos sobre a crise sustentam que o fenômeno afetou como nunca antes a imprensa estadunidense.
Os lucros da empresa editora deste semanário, grupo Washington Post, caíram 86% no último trimestre de 2008.
Os donos das principais publicações sustentam que “é necessário uma mudança de modelo no jornalismo tradicional”.
O conselheiro delegado de Newsweek Tom Ascheim opinou que a revista tem um núcleo de 1,2 milhões de subscritores mais interessados na informação e com renda mais alta que o leitor médio.
De seu ponto de vista é aí que se deve reconstruir o negócio. “São nossos melhores clientes e pagam melhor”, indicou.
A direção do semanário decidiu baixar o preço do exemplar em fins de 2008, como parte das medidas para fazer frente à situação.
Durante esse ano os clientes de Newsweek pagavam uns 25 dólares pela subscrição anual, 47 centavos por exemplar, enqyuanto na banca custava 4,95 dólares.
Entre as alternativas propostas se inclui a de aumentar o preço para 50 dólares ao ano.
O aumento irá acompanhado de uma mudança, não só nas análises e nos comentários, que implicará “uma visão pessoal e até excêntrica da atualidade”.
Em matéria de projeto gráfico utilizarão um papel mais grosso, “atrativo para leitores e anunciantes”, segundo se diz.
Esta é a segunda modificação no projeto gráfico deste meio de difusão norte-americano após a realizada em fins de 2007.
Em janeiro passado, quando o Airbus 320 da US Arways caiu sobre o río Hudson, Newsweek enviou repórteres e fotógrafos para produzir um artigo que só apareceu na edição digital.
Se ocorresse um episódio similar de agora em diante, os editores têm instruções precisas e novas: não se incomodar em publicá-lo.
Os avatares atuais da reconhecida revista, cuja difusão é superior à de U.S. News & World Report, são singulares mas não únicos.
Tribune Company, o segundo maior editor de imprensa dos Estados Unidos, proprietário de Chicago Tribune, Los Angeles Times e The Baltimore Sun, se declarou em quebra em fins do ano passado, em consequência de suas volumosas dívidas.
A casa editorial de The New York Times, dona de quase duas dúzias de periódicos e 50 páginas webs, viu cair suas rendas em até 50% nos últimos meses. Por mais um pouco teria que vender os móveis.
Gigantes do setor como o Time ou o The New York Times estudam novas formas de negócio como a cobrança pelos conteúdos difundidos através de seus sítios digitais.
Newsweek, catalogado até agora como uma revista de noticias, se publica em Nova Iorque e se distribui nos Estados Unidos e outros 12 países. Identifica-se geralmente como uma publicação de ideologia conservadora.
Denominada em seus inícios News-Week, foi fundada em 17 de fevereiro de 1933. Em 1961, The Washington Post Company a comprou.
Com uma distribuição mundial de mais de quatro milhões de exemplares, que incluem 3,1 milhões nos Estados Unidos, reproduz edições em inglês, japonês, coreano, polaco, russo, espanhol e árabe.
Tem 22 escritórios, dos quais nove se encontram nos Estados Unidos e o resto em Beijing, Buenos Aires, Cidade do Cabo, Frankfurt do Meno, Hong Kong, Jerusalém, Londres, Cidade do México, Moscou, Paris, Tókio e Varsóvia.
Fonte: Prensa Latina
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