Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, com ampla cobertura do órgão oficial da direita reacionária brasileira - a revista Veja - nos infernizou a vida, em passado recente, com a denúncia de que uma conversa entre ele e o senador Demóstenes, do PFL (esse partido, formado por acólitos da ditadura, não pode ser tratado pela sigla que recentemente adotou) , havia sido gravada, a mando da operação Satiagraha, conduzida pelo delegado Protógenes Queiroz.
Foi uma alaúza geral. Imediatamente, todos os órgãos principais da imprensa diária fizeram a repercussão do fato, com imensos espaços. O mesmo ocorrendo com telejornais e programas jornalísticos radiofônicos.
A crise que eclodiu publicamente em setembro de 2008 é, em primeiro lugar, uma crise econômica. Mas não se trata de uma crise meramente econômica, é também uma crise ecológica. É também uma crise energética, porque este desenvolvimento se apoiou na exploração da energia de origem fóssil (petróleo), altamente prejudicial ao meio-ambiente. É, finalmente, uma crise alimentar, porque investiu na produção de alimentos carregados de agrotóxicos ou potencialmente prejudiciais à saúde humana e ao meio-ambiente e à agricultura orgânica (como os transgênicos).
"Ajuda a bancos em 1 ano supera a para países pobres em 50".Essa é a manchete do artigo do Estadão. O detalhe trágico vinha no trecho de abertura, logo a seguir: "Relatório divulgado pela ONU aponta que instituições receberam US$ 18 trilhões em ajuda pública no último ano (...) Segundo a organização, que promove o cumprimento das metas das Nações Unidas para o combate à pobreza no mundo, os países em desenvolvimento receberam em 49 anos o equivalente a US$ 2 trilhões em doações de países ricos".
A prolongada e grave crise ética do Senado é um espelho dos problemas não resolvidos pela democracia brasileira. Formalmente somos um país que exercita periodicamente a consulta ao povo para eleger seus representantes. Na verdade, o financiamento privado das campanhas eleitorais, a cultura patrimonialista enraizada na máquina estatal e a impunidade dos delitos contra o erário público dão contornos elitistas e incompletos para esta democracia. O predomínio do poder econômico nas definições políticas, seja elegendo diretamente afilhados políticos, seja por meio de eficientes lobbys, destrói a legitimidade das decisões do Parlamento brasileiro.
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